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Tipo do documento: Tese
Título : Isto é que muda: produzir soberania alimentar para além do plantar
Otros títulos : This is what changes things: producing food sovereignty goes beyond planting
Autor : Carvalho, Karina de Paula
Orientador(a): Maluf, Renato Sérgio Jamil
Primeiro membro da banca: Maluf, Renato Sergio Jamil
Segundo membro da banca: Schmitt, Claudia Job
Terceiro membro da banca: Zimmermann, Silvia Aparecida
Quarto membro da banca: Costa, Rute Ramos da Silva
Quinto membro da banca: Porto, Marcelo Firpo de Souza
Palabras clave : Soberania Alimentar;Justiça Alimentar;Agricultura Urbana Agroecológica Favelizada;Mulheres Negras Faveladas;Food Sovereignty;Food Justice;Urban Agroecological Agriculture in Favelas;Black Women in Favelas
Área(s) do CNPq: Sociologia
Idioma: por
Fecha de publicación : 17-dic-2025
Editorial : Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Sigla da instituição: UFRRJ
Departamento: Instituto de Ciências Humanas e Sociais
Programa: Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade
Citación : CARVALHO, Karina de Paula. Isto é que muda: produzir soberania alimentar para além do plantar. 2025. 329 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade) - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.
Resumen : Este trabalho analisou as estratégias das mulheres do Centro de Integração da Serra da Misericórdia (CEM) na construção da soberania alimentar, em meio às injustiças étnico-raciais e de gênero vividas na favela Terra Prometida, no Complexo da Penha (RJ). Por meio da pesquisa de campo, objetivou compreender as questões e estratégias mobilizadas pelo coletivo, que aqui se lê como esforços em prol do acesso à comida de verdade e da construção da soberania como um dos instrumentos capazes de contestar as injustiças. Diante de um território minado entre o narcotráfico, milícia, mineração, violência institucional e desejos de “verdejar” pela Agricultura Urbana Agroecológica Favelizada, dentre outras questões entrelaçadas, o olhar foi lançado sobre aquelas em que as noções de soberania alimentar e justiça são mobilizadas e empregadas no cotidiano das ações coletivas de mulheres negras que almejam morar, plantar e colher na favela. A pesquisa acompanhou-as apropriando-se desses elementos como princípios inseparáveis que nomeiam as injustiças e capacitam suas ações no território e fora dele. Discute-se como as experiências populares de abastecimento solidário, no caso do CEM, podem ser compreendidas como expressões concretas de promoção de justiça alimentar, ao reivindicarem não apenas o acesso físico e econômico à comida, mas também direitos e autonomia para além do plantar. Traduzidas aqui como “soberania alimentar além do plantar” e justiça no colher e comer. Tal concepção amplia essas noções postas em análise, pela perspectiva da justiça antirracista e antissexista, ao incorporar dimensões de emancipação política de mulheres negras faveladas. Inspirada por epistemologias das encruzilhadas e interseccionalidades nas dinâmicas comunitárias e pelo protagonismo dessas mulheres em específico, temos que essas experiências desestabilizam a racionalidade produtivista e mercantil que sustenta o sistema alimentar dominante, aproximando-se da perspectiva da redistribuição-reconhecimento para abolir ou mitigar, o mais possível, as desigualdades arbitrárias. Uma possibilidade para que diferentes grupos sociais acessem em condições equitativas a comida de verdade e possam viver com dignidade. Simultaneamente, ampliando no processo suas capacidades coletivas de decisão e ação em torno da comida. Por fim, a excepcionalidade das experiências das Mulheres em Ação do CEM traduz-se na prática a justiça em termos de práxis compartilhada, que se realiza na construção de laços comunitários e afetivos de abastecimento, na gestão autônoma dos quintais e hortas, na Cozinha Solidária e na Escola Popular de Agroecologia. Assim, não se inserem no campo agroecológico apenas como uma resposta emergencial à fome, mas como uma trincheira de ressignificação do território da violência para o território do bem-viver, pela “comida livre de violência”, que desafia o crime organizado e o Estado, bem como a Agroecologia e as políticas públicas, ao nos fazer repensar as formas de garantir o direito humano à alimentação sob a ótica da justiça racial, de gênero e territorial.
Abstract: This study analyzed the strategies developed by the women of the Centro de Integração da Serra da Misericórdia (CEM) in constructing food sovereignty amid the ethnic-racial and gender injustices experienced in the Terra Prometida favela, located in the Complexo da Penha (Rio de Janeiro). Through field research, it aimed to understand the issues and strategies mobilized by this collective, interpreted here as efforts to ensure access to “real food” and to build sovereignty as an instrument capable of contesting multiple injustices. In a territory marked by the presence of drug trafficking, militia groups, mining activities, institutional violence, and the collective desire to “green” the area through Favela-Based Agroecological Urban Agriculture, among other intertwined challenges, the analysis focused on how notions of sovereignty and justice are mobilized and enacted in the daily practices of Black women who seek to live, plant, and harvest within the favela. The research followed these women as they appropriated such notions as inseparable principles- naming injustices and empowering their actions both within and beyond their territory. It discusses how popular experiences of solidarity-based food distribution, as in the case of CEM, can be understood as concrete expressions of food justice promotion, as they demand not only physical and economic access to food, but also rights and autonomy beyond planting. Here, these practices are translated as “food sovereignty beyond planting” and “justice in harvesting and eating.” This conception expands the analytical scope of these notions through an antiracist and antisexist lens of justice, incorporating the political emancipation of Black women from the favela. Inspired by intersectional and crossroads epistemologies that shape community dynamics and by the protagonism of these women in particular, these experiences are shown to destabilize the productivist and market-oriented rationality sustaining the dominant food system. They resonate with the redistribution-recognition perspective, aiming to abolish or at least mitigate arbitrary inequalities -so that different social groups may have equitable access to real food and live with dignity. Simultaneously, these practices strengthen collective capacities for decision-making and action around food. Ultimately, the exceptional experiences of the Mulheres em Ação collective at CEM are understood here as strategies of justice enacted through shared práxis - realized in the construction of community and affective food networks, autonomous management of backyards and gardens, solidarity kitchen, and the Popular School of Agroecology. Thus, their practices are not merely emergency responses to hunger but rather trenches of resistance and re-signification, transforming a territory marked by violence into one of good living (bem viver). Through the pursuit of “food free from violence,” these women challenge both organized crime and the State - as well as Agroecology itself and public policies- inviting us to rethink how the human right to food can be guaranteed through the lenses of racial, gender, and territorial justice.
URI : http://rima.ufrrj.br/jspui/handle/20.500.14407/25815
Aparece en las colecciones: Doutorado em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade

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